Questão de Tempo (About Time), filme

23 05 2021
Imagem daqui

Há alguns dias assistimos a esse filme na Netflix. Parecia uma comédia romântica interessante, com uma estória que me chamou a atenção. Um bom programa para uma noite em casa, no meio da pandemia, quando não se pode realmente ter muitas opções fora de casa (sim, somos partes dos idiotas que ainda teimam em ficar em casa!). A sinopse falava sobre a estória de um rapaz, de nome Tim, em cuja família os homens têm o poder de voltar no tempo, e refazer partes de suas vidas, para desfazer decisões, refazer escolhas, enfim, experimentar caminhos diferentes depois de saber o que ocorreu com o caminho escolhido.

Essa premissa é a princípio uma coisa fantástica, muito boa, quem nunca parou por um momento pensando como teriam sido as coisas na sua vida e na de outros, caso tivesse escolhido A ou B em detrimento de C. Se tivesse escolhido outra carreira, se tivesse ido morar em outra cidade ou país, se tivesse se dedicado a estudar ou desenvolver-se em algum assunto ou habilidade específicos? Ou eventualmente querer desfazer um erro que numa fração de segundo mudou completamente o rumo da sua vida?

No início, com esse aparente dom maravilhoso, tudo parece perfeito, e ao longo do filme o nosso protagonista vai aprendendo algumas coisas, uma das mais impactantes é que as escolhas refeitas têm consequências que podem não ser as esperadas ou as mais agradáveis. Ele vai amadurecendo ideias e conceitos, passando a lidar com as situações e mesmo com esse “poder” de uma maneira diferente.

A estória faz pensar sobre nossas próprias escolhas, o que fizemos com o fruto delas, e até mesmo revisitar o que houve de imperfeições, pretensos erros e acertos ao longo do caminho. Digo “pretensos” porque acredito que justamente por não termos nunca a certeza do que ocorreria no caso avesso às decisões tomadas, a mim parece bastante pretencioso carimbar ou rotular “acerto” ou “erro” sem uma grande chance de estar sendo injusto com as próprias escolhas. Há muito tempo atrás um colega de trabalho veio me pedir um conselho: ele tinha uma noiva, um relacionamento de algum tempo, na cidade natal dele, e, na cidade onde ele estava trabalhando, tinha se envolvido com uma outra moça. Ele tinha que decidir e não conseguia. A minha resposta/conselho foi mais ou menos a seguinte: Não importa a sua decisão, ela vai ser a melhor e a pior ao mesmo tempo. Qualquer que seja a escolha, em algum momento no futuro você vai olhar para trás, provavelmente em um momento em que as coisas não estejam bem na sua vida por algum motivo qualquer, e irá dizer para si mesmo que a outra escolha teria sido a melhor. O que é uma comparação injusta, da utopia do que “poderia ter sido” com a realidade do que realmente aconteceu. Não tenho a menor ideia do quanto ele entendeu ou levou em consideração o que eu disse (ele acabou deixando a noiva, mas não convivi com ele tempo suficiente para saber para onde caminhou a estória), mas, ele pediu um conselho, eu dei o melhor que tinha à época…

Acredito que nossas escolhas moldam quem somos e quem vamos nos tornando ao longo do tempo. Quantas vezes você se pegou pensando “se eu soubesse tudo que sei hoje naquela época, teria feito diferente”? Pois é. Teria feito diferente, suas escolhas teriam consequências diferentes e você hoje seria uma pessoa diferente. Melhor, pior? Isso talvez seja bastante relativo. Com o passar do tempo passei a entender que os extremos e o pensamento maniqueísta não fazem sentido, ao menos para mim. Os equilíbrios me atraem mais. Sobre as escolhas, hoje sou exatamente como sou por conta das escolhas que fiz e que me trouxeram até aqui. Algumas fáceis, outras mais difíceis, algumas rupturas, alguns arrependimentos. Acredito que se ficarmos revisitando as escolhas, sendo que estão feitas e definidas (diferentemente do caso do nosso amigo Tim no filme), nunca poderemos ter serenidade e leveza, necessárias para seguirmos em frente e termos uma vida plena e feliz, ou o mais próximo disso possível.

Benção ou maldição?

O poder que Tim tinha era realmente algo fantástico, que, como disse no início, a princípio parece só ter vantagens. Mas ao longo do tempo algumas coisas passam a fazer mais sentido do que ficar refazendo as coisas, aprendendo, consertando (ou tentando consertar) o passado. Mas suas ações impactam não somente a sua vida, mas também as das pessoas próximas a você. Aquele outro filme, O efeito borboleta, também trata disso, de uma maneira diferente. Você conseguiria viver com a responsabilidade de alterar as coisas a seu bel prazer? Havia uma música de uma banda de rock nos anos 90 que dizia “você consegue viver consigo mesmo quando você pensa no que deixou pra trás?“. Eu diria que viver convivendo com nossas escolhas é certamente melhor do que conviver com decisões alteradas conscientemente e que cujas consequências invariavelmente nos fogem do controle. Durma com isso…

Bom, por hoje era isso, se chegou até aqui espero que tenha gostado, até uma próxima…


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